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Novo mapa-múndi: ONU aprova resolução que busca representar melhor o tamanho dos continentes

A forma como o mundo aparece nos mapas pode mudar a percepção sobre o tamanho dos países e continentes. Por isso, uma decisão tomada pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta semana chamou atenção internacional.


Agência SSA Agora, 5 de setembro,

Na sexta-feira, 4 de setembro de 2026, os países-membros aprovaram uma resolução voltada à correção de distorções presentes em mapas-múndi utilizados há décadas. A proposta recebeu 164 votos favoráveis, seis abstenções e apenas um voto contrário, dos Estados Unidos (Como sempre...).

A iniciativa foi apresentada pelo Togo, com apoio de países africanos e da União Africana. O objetivo é estimular o uso de representações cartográficas que mostrem de maneira mais proporcional a área dos continentes, especialmente em materiais educacionais, institucionais e plataformas digitais.

Por que o mapa-múndi tradicional distorce os continentes?

Um dos principais motivos está na chamada projeção de Mercator.

Criada no século XVI, a projeção foi desenvolvida para facilitar a navegação marítima. Ela possui características importantes para esse objetivo, mas apresenta uma consequência conhecida: quanto mais uma região está distante da linha do Equador, maior pode parecer sua área quando representada em uma superfície plana.

Isso faz com que regiões próximas aos polos pareçam muito maiores do que realmente são.

A Groenlândia é um dos exemplos mais conhecidos. Em mapas baseados na projeção de Mercator, a ilha pode parecer comparável à África em tamanho. Na realidade, a África possui uma área aproximadamente 14 vezes maior.

O que é o mapa Equal Earth?

Uma das alternativas destacadas pela resolução é a projeção Equal Earth, desenvolvida em 2018 pelos cartógrafos Tom Patterson, Bojan Šavrič e Bernhard Jenny.

A proposta utiliza uma projeção de área equivalente. Isso significa que procura preservar melhor a proporção das áreas dos territórios quando eles são representados em um mapa plano.

Na prática, regiões como África e América do Sul ganham uma representação visual mais próxima de suas dimensões reais em comparação com a projeção de Mercator.

Isso não significa que o formato dos continentes permaneça exatamente igual ao observado em um globo terrestre. Toda representação plana da superfície da Terra envolve algum tipo de distorção. A diferença está em qual característica o mapa prioriza.

O Brasil fica maior no novo mapa?

Não. O território brasileiro não mudou... O que muda é a maneira como o país aparece quando diferentes projeções cartográficas são utilizadas.

O Brasil está localizado predominantemente em áreas próximas ao Equador. Por isso, quando comparado a regiões de altas latitudes em uma projeção como a de Mercator, sua representação pode parecer menor do que seria em uma projeção de áreas equivalentes.

Com o Equal Earth, a área relativa do Brasil passa a ser visualmente mais compatível com sua dimensão territorial real.

A mesma lógica vale para outros países da América do Sul e para grande parte do continente africano.

A ONU proibiu o mapa de Mercator?

Não, mas... Esse é um dos pontos mais importantes para entender a notícia.

A resolução aprovada pela Assembleia Geral não elimina a projeção de Mercator e não impede que ela continue sendo utilizada. O modelo permanece útil para determinadas finalidades, principalmente relacionadas à navegação.

A proposta aprovada pela ONU busca incentivar representações consideradas mais adequadas quando o objetivo é comparar a área dos continentes e países.

Portanto, dizer simplesmente que “a ONU acabou com o mapa-múndi antigo” seria impreciso.

Por que essa discussão ganhou importância?

A discussão não é apenas técnica, porém os Mapas também são utilizados em escolas, livros, meios de comunicação, sistemas digitais e materiais institucionais. A forma como os territórios são apresentados pode influenciar a percepção que as pessoas desenvolvem sobre o tamanho e a importância relativa de diferentes regiões do planeta.

Os países que apoiaram a iniciativa defendem que uma representação mais proporcional pode contribuir para uma compreensão mais precisa da geografia mundial.

O Togo, que liderou a proposta, pretende avançar na utilização do novo modelo em materiais escolares. A iniciativa também prevê diálogo com organizações internacionais e empresas ligadas a mapas e serviços de localização.

O que muda agora para estudantes e escolas?

Uma possível consequência da resolução é a ampliação do uso de mapas de áreas equivalentes em materiais educacionais.

Isso pode permitir que estudantes comparem de maneira mais adequada as dimensões territoriais dos continentes.

África e América do Sul, por exemplo, passam a ter uma representação visual que ajuda a evitar algumas das distorções mais conhecidas da projeção de Mercator.

Ainda assim, isso não significa que todos os livros escolares, aplicativos e mapas digitais serão alterados imediatamente.

A resolução da ONU tem caráter de recomendação e incentivo, e sua implementação dependerá das decisões de governos, instituições educacionais, editoras e empresas.

Uma mudança no mapa não muda a geografia

Apesar da repercussão nas redes sociais, é importante separar a representação cartográfica da realidade geográfica.

A África não ficou maior. O Brasil não aumentou de tamanho. A Groenlândia não diminuiu.

Esses territórios sempre tiveram as mesmas áreas.

O que mudou foi a forma de representar uma superfície curva, a Terra, em uma superfície plana, o mapa. Como não é possível fazer essa transformação sem algum nível de distorção, existem diferentes projeções cartográficas desenvolvidas para finalidades específicas.

A novidade é que a ONU passou a incentivar uma representação que prioriza uma comparação mais fiel das áreas territoriais.

Por que o novo mapa pode chamar atenção no Brasil?

Porque para nós brasileiros, a mudança pode ser particularmente interessante porque o país possui uma das maiores extensões territoriais do planeta e está situado em uma região que aparece de maneira diferente conforme a projeção utilizada.

A discussão também ajuda a explicar por que mapas vistos na escola, na internet ou em aplicativos podem apresentar os mesmos países com formatos e tamanhos aparentes diferentes.

Mais do que substituir um mapa por outro, a decisão da ONU reacende uma questão importante: qual é a finalidade de cada mapa e qual informação ele pretende representar com maior precisão?

A partir dessa discussão, o chamado “novo mapa-múndi” pode ganhar espaço em escolas, instituições e plataformas digitais. Mas a transição não será imediata, e a projeção de Mercator continuará sendo utilizada onde suas características forem úteis.

O que você precisa saber

A ONU aprovou uma resolução para incentivar representações cartográficas que mostrem melhor as proporções territoriais.

A proposta recebeu 164 votos favoráveis, seis abstenções e um voto contrário.

O Togo liderou a iniciativa.

A projeção Equal Earth é uma das alternativas defendidas.

O Brasil não ficou maior: apenas pode aparecer proporcionalmente diferente.

A projeção de Mercator não foi proibida.

A resolução busca principalmente melhorar a representação das áreas continentais em contextos como educação, comunicação e mapas digitais.

Fontes: ONU/Assembleia Geral e Agência Brasil, além de informações cruzadas com Reuters e Associated Press| Estadão MG | Folha |

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