Obras do metrô de Salvador revelaram 235 artefatos arqueológicos do século XIX no Campo Grande. Veja o que foi encontrado e como as peças serão preservadas.
As obras de expansão do metrô de Salvador trouxeram à tona vestígios de como viviam os moradores da capital baiana no século XIX. Durante as escavações para a futura Estação Campo Grande, pesquisadores identificaram um sítio arqueológico com 235 peças e fragmentos de objetos antigos, incluindo louças europeias, garrafas, porcelanas, metais, ossos e telhas.
Portal SSA Agora, 9 de outubro,
O que foi encontrado nas obras do metrô?
O acervo reúne diferentes materiais que permitem investigar hábitos domésticos, alimentação e consumo na antiga Salvador.
Entre os principais achados estão:
Louças antigas: fragmentos de peças inglesas e portuguesas.
Garrafas e frascos: objetos de vidro associados ao consumo e ao armazenamento de produtos.
Porcelanas: peças que ajudam a compreender os hábitos de consumo da época.
Cerâmicas e telhas: vestígios relacionados à vida doméstica e às construções.
Ossos e metais: materiais que também contribuem para a investigação arqueológica.
O conjunto foi identificado em uma área de aproximadamente 188,41 metros quadrados, onde funcionou uma antiga edificação ligada à história do Campo Grande.
Descoberta revela detalhes da Salvador do século XIX
Os vestígios estão associados principalmente à segunda metade do século XIX, período de transformações urbanas na região.
A presença de louças de origem europeia chama a atenção dos pesquisadores porque ajuda a compreender a circulação de mercadorias e os padrões de consumo existentes na antiga capital baiana.
Os objetos também permitem estudar práticas cotidianas que nem sempre aparecem com tantos detalhes nos documentos históricos, como os produtos utilizados pelas famílias e a maneira como materiais eram descartados.
O sítio arqueológico foi preservado, em parte, pela existência de um antigo porão. A estrutura manteve uma porção de solo protegida, permitindo que os vestígios permanecessem conservados ao longo do tempo.
O que vai acontecer com as peças encontradas?
O material arqueológico será destinado ao Laboratório de Arqueologia e Paleontologia da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), responsável por abrigar e desenvolver pesquisas sobre o acervo.
A análise especializada permite catalogar os objetos, estudar suas características e ampliar o conhecimento sobre a ocupação histórica de Salvador.
A preservação também faz parte das medidas previstas no Programa de Gestão do Patrimônio Arqueológico aprovado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Descoberta vai impedir a expansão do metrô?
A identificação do sítio arqueológico não provocou mudanças no projeto nem no cronograma originalmente previsto para a obra, conforme as informações divulgadas sobre a aprovação do programa.
Em 9 de outubro de 2026, foi divulgada a formalização da autorização para continuidade das intervenções na futura Estação Campo Grande.
O planejamento prevê acompanhamento arqueológico das frentes de trabalho, salvamento dos materiais já coletados e ações de educação patrimonial.
A medida busca conciliar a ampliação do transporte público com a proteção da memória histórica da cidade.
Metrô e patrimônio histórico caminham juntos
A descoberta mostra que obras de infraestrutura também podem revelar capítulos pouco conhecidos da história de Salvador.
Enquanto a expansão do metrô busca melhorar a mobilidade urbana, o trabalho arqueológico ajuda a preservar vestígios que contam como a cidade se desenvolveu e como seus moradores viviam no passado.
O desafio é fazer com que o avanço da infraestrutura aconteça junto com a pesquisa, a conservação e a valorização do patrimônio cultural baiano.
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